Se liga, teve um perĂodo da minha vida que eu jogava muito poker. Chegava a jogar 10 ou 12 horas por dia, competi e fui campeĂ£o capixaba. Cheguei atĂ© a considerar jogar profissionalmente. No entanto, essa nĂ£o Ă© a histĂ³ria que eu vou contar hoje. Quero dividir contigo o que eu aprendi sobre culpa e arrependimento enquanto jogava poker.
NĂ£o sei se vocĂª sabe como jogar, entĂ£o vou explicar bem rapidinho aqui. VocĂª tem que tomar algumas decisões ao longo de uma rodada (uma das modalidades se chama texas holding). Primeiro vocĂª recebe duas cartas, e decide se vai jogar ou nĂ£o aquela mĂ£o. E entĂ£o sĂ£o viradas mais 3 cartas na mesa, e precisa tomar outra decisĂ£o. Depois se abrem mais uma carta, e outra, e assim por diante. Em cada rodada sĂ£o necessĂ¡rias vĂ¡Ă¡Ă¡Ă¡rias tomadas de decisĂ£o.
Chegando nas mesas finais, sempre tem um monte de gente assistindo, e justamente no final Ă© que começam os comentaristas de mĂ£o aberta. Vou dar um exemplo: eu pego minhas duas cartas e decido jogar a mĂ£o, mas perco. No final da rodada, algumas pessoas vem e me dizem que eu nĂ£o deveria ter feito aquilo, pois foi aquele movimento errado fez com que eu perdesse a rodada.
Aquela situaĂ§Ă£o me deu uma liĂ§Ă£o incrĂvel pra vida: Ă© muito fĂ¡cil dizer o que vocĂª deveria fazer (ou o que outra pessoa deveria fazer) quando as cartas jĂ¡ estĂ£o abertas. Ă€s vezes temos que tomar decisões, como escolher um caminho ou outro. Se eu escolho um e esse dĂ¡ errado mais lĂ¡ na frente, eu sĂ³ consigo ver o resultado justamente por estar lĂ¡.
Quando as cartas estĂ£o abertas, eu to vendo que aquele caminho dĂ¡ errado, e Ă© muita crueldade comigo mesmo me culpar por uma decisĂ£o que tomei lĂ¡ atrĂ¡s, quando as cartas nĂ£o estavam abertas ainda, como num jogo de poker. NĂ£o sei quais sĂ£o as cartas que vĂ£o virar, e eu tenho que tomar uma decisĂ£o com base naquilo que tenho no momento.
NĂ£o sei o que vai acontecer com o jogador depois de mim, se vai aumentar o valor da rodada ou se vai fugir, por exemplo. Eu sĂ³ posso jogar com as informações que eu tenho, entĂ£o quando termina uma mĂ£o de poker, eu posso me perguntar, apenas, se joguei bem ou mal. Se joguei mal, vou atrĂ¡s de entender o que posso melhorar naquela mĂ£o para quando houver outra oportunidade, parecida com a que vivi, eu consiga evoluir e mudar o jogo.
Se tomo uma decisĂ£o que nĂ£o Ă© tĂ£o boa, colocar a culpa no “eu” do passado nĂ£o adianta, pois as cartas nĂ£o estavam abertas. NĂ£o seja um comentarista de mĂ£o aberta da sua prĂ³pria vida!
Quando vocĂª chegar lĂ¡ na frente, enxergar que errou e alguĂ©m vier dizer para vocĂª que nĂ£o deveria ter tomado aquela atitude ou aquele caminho, o que vocĂª pensa dentro da sua cabeça? Saiba que essa pessoa estĂ¡ fazendo isso por amor a vocĂª, acredite! Por amor a essa pessoa, esquece o que ela disse e sĂ³ agradece por ela ter se importado contigo.
A vida Ă© como eu vejo, entĂ£o eu crio o que eu vejo. Se coloque no lugar da pessoa e nĂ£o massacre ela quando acontecer uma situaĂ§Ă£o assim, Ă© muito melhor falar algo como “Eu sei que Ă© fĂ¡cil falar agora que as cartas jĂ¡ estĂ£o abertas e eu jĂ¡ sei que deu errado, mas queria dizer pra vocĂª que se eu fosse vocĂª, numa outra oportunidade, teria feito de tal forma… Talvez essa informaĂ§Ă£o seja Ăºtil no seu prĂ³ximo desafio. Queria parabenizar vocĂª por ter tido coragem e tomado essa decisĂ£o na sua vida”
A forma como eu dou significado a um acontecimento Ă© levada ao longo da vida. Muitas vezes a gente começa a se punir e ser cruel, pensando coisas fortes como “SĂ³ tomo decisĂ£o errada!!”. Isso sĂ³ aumenta os sentimentos de culpa e arrependimento.
Lembre-se: o que vocĂª vĂª, vocĂª cria. Da prĂ³xima vez, pense assim: “Ah, agora Ă© fĂ¡cil eu ver que deu errado porque as cartas jĂ¡ estĂ£o abertas. NĂ£o vou nem me punir, nem punir outra pessoa. Vou aprender com o que aconteceu para, na prĂ³xima vez, tomar uma decisĂ£o melhor”.
Culpa e arrependimento sĂ£o pedras que a gente vai colocando na nossa bagagem ao longo da jornada. Deixa os dois lĂ¡ atrĂ¡s e tire aprendizados, pois eles sim sĂ£o balões que me levam pra frente. O mesmo acontecimento pode ser visto como uma pedra ou como um balĂ£o, sĂ³ depende de quem vĂª.
Fez sentido isso que conversei contigo hoje? Comenta aqui embaixo como anda a sua relaĂ§Ă£o consigo mesmo. Tem sentido muita culpa e arrependimento ou vocĂª tem conseguido lidar bem com as situações que tĂªm acontecido contigo? Vou ficar muito grato por vocĂª dividir um pouco do seu dia a dia e da sua histĂ³ria comigo

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